sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Mar, sol, descanso


Mar Sol Descanso


Queres entrar no mar? Ele disse.

Prefiro ficar ao sol. Ela disse.

Estenderam as toalhas na areia

A brisa do mar chegou até eles

As ondas atreveram-se a lamber seus pés

que, lado a lado, em silêncio,

deixaram-se ali ficar,


para enfim descansar.


ASFIXIA

ASFIXIA

A garganta sufoca o grito
Que, se solto, não alivia
Porque o sapo que nela habita
Grita por ela a dor maldita

Na garganta sufoco um grito
Que, se solto, não alivia
Porque o sapo que nela habita
Grita por mim a dor maldita

Na garganta sufocamos gritos
Que, se soltos, não aliviam
Porque os sapos que nelas habitam
Gritam por nós dores malditas

Na garganta sufocas um grito
Que, se solto, não te alivia
Porque o sapo que nela habita
Grita por ti essa dor maldita





HOSPITAL



 Anjos caem do céu

                        O branco predomina nas vestes e calçados,
as paredes são claras e a luz ilumina o quarto quase na penumbra.
                        Madrugada, amanhecer e pelo dia inteiro o pinga pinga do soro é constante no intervalo calculado.
                        Enfermeiros deslizam pelo corredores e ao entrarem já sabemos que tudo ocorrerá novamente:
medição da pressão, batimentos cardíacos, controle da temperatura
e o copinho com o comprimido pra glucose se manter dentro do desejado.
(LuLeal)

                        O homem na cama aguarda ansiosamente a chegada da enfermeira da manhã. Tomara que seja aquela bonita e paciente, que usa um colar discreto de pérolas iluminando o uniforme branco, tão luminoso quanto o seu sorriso amigo e confiante; que sabe procurar a veia com a cautela de um cirurgião; que troca os curativos com a suavidade de um anjo; que abre as cortinas na altura certa para deixar ver o jardim sem magoar os olhos com a claridade do amanhecer; que fala mansamente como um gatinho ronronando ao seu ouvido "dormiu bem, querido?", que ajuda a tomar o remedinho num copinho com água pura que parece o néctar dos deuses; que ajeita as cobertas como mãe zelosa; que liga a tv no canal que já sabe que mais lhe agrada,  que lhe diz com uma voz alegre e cantante que o dia está bom, que hoje vai ficar melhor ainda e que não fique de novo com vergonha de trocar a fralda, que ela já está acostumada com velho cagado.

(ANGELA MADONO)